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Cinema brasileiro esquenta inverno sueco

14/10/2010

Com direito a caipirinha e cerveja, começa na noite desta sexta-feira, 15, a maior festa do cinema brasileiro na Suécia, o festival BrasilCine2010. Realizada há cinco anos em Estocolmo, a mostra apresenta ao público a atual produção cinematográfica brasileira com filmes oriundos de várias regiões do país, sem se prender ao eixo Rio-São Paulo. A ideia é oferecer imagens de um outro Brasil, de relações humanas e culturas diversificadas além do estereótipo da violência e da favela carioca. Este ano, o longa Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo, dirigido por Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, é um dos destaques. O filme foi selecionado para Festival de Veneza e premiado em Havana. A revista Variety o classificou como uma obra “transcendente”.

O road movie Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo conta a história do geólogo José Renato, que atravessa o Sertão nordestino, cuja paisagem de desolação e aridez parece penetrar na alma do personagem por meio da saudade da ex-mulher e da vontade de voltar pra casa. Esperando que essa viagem modifique seus sentimentos, ele insiste em sua travessia, como se o desafio da distância e da desolação, da superação de si mesmo, possam fazer com que nada seja como antes.

Roteirista do premiado Cinema, Aspirinas e Urubus (Cannes, 2005), de Marcelo Gomes, e diretora de Madame Satã e O Céu de Suely, Karim Aïnouz é um dos grandes nomes de um cinema brasileiro revigorante, corajoso, intuitivo, focado não em enredo de ficção mas em histórias de vidas humanas. (Leia aqui uma entrevista fascinante com o cineasta Karim Aïnouz.) Também integra a programação de longas Olhos Azuis, de José Joffily, que trata de relações de poder e culpa por trás de ações preconceituosas por meio da história de um policial da imigração americana, que viaja ao Brasil tentar acertar as contas com o passado.

O BrasilCine homenageia a diretora brasileira Lúcia Murat, exibindo os seus três últimos longas, ainda inéditos na Suécia: Maré, Nossa História de Amor, um musical — selecionado para o Festival de Berlim — que se passa em uma periferia do Rio de Janeiro, cenário de tráfico e violência, mas também de dança, música e esperança; Olhar Estrangeiro, filme de abertura do festival, um divertido documentário que analisa filmes americanos e europeus que se passam no Brasil, eivados de preconceitos e estereótipos; e Brava Gente Brasileira, que traz o tema da colonização do Brasil por Portugal e os conflitos entre colonizadores e índios. O BrasilCine apresenta ainda o documentário Depois de Ontem, Antes de Amanhã que revela a luta pela sobrevivência, as angústias e alegrias na vida de três personagens no interior de Pernambuco.

Três filmes do Rio Grande do Sul completam a mostra escandinava. O documentário Walachai, de Rejane Zilles, revela uma comunidade rural de descendentes de alemães “perdida no tempo”, onde ainda se fala o idioma alemão, não o Hochdeutsche, mas um dialeto transmitido através das gerações. Os curtas gaúchos Maresia, de Christian Schneider e Natália Paiva, e Enciclopédia, de Bruno Gulaerte Barreto, serão exibidos com outros 10 filmes de várias partes do Brasil.

O BrasilCine foi criado em 2005 na cidade de Göteborg. A demanda por filmes brasileiros foi intensa e no ano seguinte Estocolmo foi incluída no roteiro. O BrasilCine Estocolmo é organizado pela Associação para Cultura Sueca e Brasileira, que tem o objetivo de divulgar a cultura brasileira na Suécia e a cultura sueca no Brasil. A organização cumpre uma importante missão intercultural, especialmente no setor de intercâmbio cinematográfico Brasil-Escandinávia, tão carente de iniciativas tanto privadas quanto governamentais. Em Porto Alegre, estou tentando viabilizar há mais de dois anos uma mostra escandinava contemporânea, ainda sem respostas definitivas; também já enviei para o Svenska Filminstitutet uma dezena de filmes realizados no Rio Grande do Sul, uma ação de cunho pessoal que oxalá poderá render aos realizadores gaúchos frutos futuros, tal como já é realidade a mostra BrasilCine. Os ganhos são mútuos com eventos como esse. Porém, para tanto, o apoio de instituições interculturais e governamentais, como consulados e embaixadas, são cruciais. Tenho esperança de que o suporte a ações de promoção do cinema entre Brasil e países nórdicos receba mais atenção e seja cada vez mais abrangente.

Do anticristo ao Apocalipse

29/07/2010

Dizem os atores que é uma honra, que o projeto é poético, que, enfim. Mas o diretor dinamarquês Lars von Trier não promete sol, nem flores, nem esperança com o seu novo filme, Melancholia.  Em conferência de imprensa realizada em Trollhättan, também conhecida como “Trollywood”, na Suécia, na última segunda-feira, 26, ele falou pela primeira vez sobre o projeto, e já adiantou: “Chega de finais felizes”. Talvez ele se referisse à metafísica moderna, pois em suas obras não lembro de algum final feliz. É claro, com esse título, quem esperaria alegrias?

O título do filme refere-se a um certo Planet Melancholia, um grande astro que se aproxima e ameaça a vida na Terra. Manjado, né? Pode ser apenas uma metáfora, uma poética da destruição. Von Trier é um buraco negro cuja matéria causa estranhamento e choque, o que é bom. Além disso, ele cultiva uma mítica em torno de si próprio, com elementos como sadismo e loucura, que resultam em um misto de temor e fascínio.

O diretor descreve Melancholia como “um filme psicológico de desastre” e “um belo filme sobre o fim do mundo”. Ele também falou que seu filme “parece uma merda”. A imprensa adorou. A obra parece fazer jus ao título e, sem bem conhecemos LVT, ele será fiel a seus sentimentos, e também ao seu estilo. “Como um filme-catástrofe, Melancholia utilizará alguns efeitos especiais, mas nada comparado com Hollywood”, avisou Peter Aalbæk Jensen, co-fundador da produtora Zentropa. Como se pretendesse acalmar o pânico do público diante da ideia de ver algo ainda mais forte que Anticristo, Jensen informou que “haverá algum romance” à Lord Byron.

O corajoso elenco é formado por atores de diversos países, incluindo a norte-americana Kirsten Dunst; a francesa Charlotte Gainsbourg, protagonista de Anticristo; os ingleses Kiefer Sutherland, o inesquecível agente Jack Bauer; Charlotte Rampling e John Hurt, o homem-elefante; o dinamarquês Jesper Christensen; o alemão Udo Kier, amigo, colaborador de Von Trier e padrinho de sua filha (Agnes); os suecos Stellan e Alexander Skarsgård, pai e filho, respectivamente, além de Brady Corbet e Spurr Cameron. O orçamento é estimado em US$ 7,4 milhões (54 milhões de coroas). É uma verdadeira superprodução para o padrão escandinavo, caracterizado por baixos orçamentos e poucos mas excelentes atores; é comum encontrar os mesmos nomes em dezenas de produções. De fato, o número de atores por lá é desproporcional ao mercado cinematográfico.

No vídeo exibido pela DR, Lars von Trier esboça um sorriso taciturno, mas é discreto em relação ao enredo do filme: “Há casamento e melancolia, mas eu não quero dizer mais do que isso”. Sutherland, por sua vez, parece excitado com o projeto e disse que está realmente animado com a “honestidade brutal” de Von Trier e com “as filmagens ao vivo, sem ensaio algum” nas quais ele será iniciado. Se já não fossem malucos, Jørgen Leth, de De fem benspænd (The Five obstructions, 2003),  e Charlotte Gainsbourg teriam enlouquecido com as tais filmagens ao vivo e a honestidade brutal de Von Trier.

Mas seus resultados ultrapassam nossa imaginação, e é grande a expectativa com o filme. Melancholia será lançado em maio de 2011 no Festival de Cannes, no qual o trabalho deste cineasta sempre causa sensação e já ganhou numerosos prêmios, entre esses o de Melhor Atriz para Charlotte Gainsbourg, em 2009, por sua traumática personagem em Anticristo.

A esposa psicótica em Anticristo (2009), personagem que levou Charlotte Gainsbourg a superar limites: atriz foi convocada para integrar o cast de Melancholia. De novo, Charlotte?

Assim como o fez em Anticristo e outros projetos mundiais,  Melancholia será interpretado direto em língua inglesa, para facilitar a distribuição. As gravações começaram dia 22 de julho e têm previsão de terminar precisamente dia 8 de setembro. O filme é produzido pela Zentropa em coprodução com a sueca Memfis Film, a francesa Slot Machine e a alemã Köln Zentropa International. A TrustNordisk já vendeu o filme para mais de 20 países, incluindo distribuidoras da Itália (BIM), Alemanha e Áustria (Concorde) e Suíça (Frenetic).

Esqueça os índices que insistem em lhe atormentar. Quem sabe a ideia de LVT seja fazer mais uma trilogia; quem sabe esteja planejando encerrar esse ciclo de modo mais ensolarado, em uma superação de si mesmo; quem ele sabe finalmente traga a seus espectadores o paraíso, mesmo que seja um paraíso vontrieriano. Vamos fingir que ele não fez a comédia Direktøren for det hele (The Boss of It All, 2006), vamos acreditar em sua doença e que ela está em remissão. Esta fase de criação lúgubre, diria o seu analista, é proporcional à sua depressão, coerente com o momento sombrio em que ele se encontra, o que se refletiu em um estilo marcado pelo mergulho no lado mais ameaçador da mente e do caráter humanos. Ele está em melancolia, mas merece a redenção ―  como alguém atormentado que após muito sofrer atingiu a paz.

Pois é, eu também duvido. Melancholia será o Ragnarok.

Millenium: o fenômeno sueco incendeia o mundo

20/06/2010

Já está todo mundo falando sobre The Girl with the Dragon Tattoo (Män som hatar kvinnor), o primeiro filme da trilogia Millenium, imperdível série sueca dirigida por Niels Arden Oplev. Os roteiros são fielmente adaptados de três romances policiais de Stieg Larsson publicados postumamente, que venderam mais de 20 milhões de cópias em 41 países até agora; o sucesso foi tamanho que ele foi o segundo autor mais vendido do mundo de 2008.

Daí que eu ia escrever sobre a trilogia em janeiro, após The Girl with the Dragon Tattoo receber o Cenourão Dourado (na verdade Escaravelho de Ouro), o Guldbagge Award 2009, um dos mais importantes prêmios do cinema nórdico, oferecido pelo Swedish Film Institut (Svenska Filminstitutet), em três categorias — Melhor Filme, Melhor Atriz (Noomi Rapace) e Prêmio de Público. Foi melhor esperar até junho por três motivos. Primeiro porque pude assistir à sequência da trilogia Millenium, The Girl Who Played with Fire (Flickan som lekte med elden), tão eletrizante quanto o filme que abre a série.

Depois, porque o segundo filme entrou em cartaz em Porto Alegre, para minha estupefação. O título em português foi um eufemismo do sueco: Os Homens que não Amavam as Mulheres, em lugar de “os homens que odiavam as mulheres”. O filme foi exibido em um shopping. Foi irresistível pensar que alguém do marketing se passou. A surpresa é porque filmes suecos não se enquadrariam no perfil padrão de consumidor brasileiro imaginado por majors, quase sempre receosas de arriscar algo em um formato diferente e “encalhar” a bilheteria. No Brasil, The Girl Who Played with Fire é distribuído pela Imagem Filmes, que trabalha com diversos segmentos e gêneros nacionais e internacionais. Não sei como foram feitos os acordos, mas tenho um palpite de que a ideia de exibi-lo foi meio na correria ou para tapar algum buraco, pois não vi divulgação, e azar do espectador distraído. Se eu estiver errada, que alguém me corrija.

Terceiro, porque nesse meio-tempo saiu a notícia de que The Girl with the Dragon Tattoo terá um remake para o mercado norte-americano. O jornal sueco Svenska Dagbladet afirmou que a Sony Pictures Entertainment estaria em negociações finais com a produtora Yellow Bird sobre os direitos de The Girl with the Dragon Tattoo e dos outros filmes da série Millenium. Segundo o site de Stieg Larsson, o negócio foi fechado com a Columbia Pictures (pertencente à Sony), que comprou os direitos das três obras para língua inglesa em fevereiro de 2010. Os direitos de propriedade intelectual teriam ficado com a família do autor. A Columbia reescreverá totalmente o roteiro, em vez de traduzir o script original. Steve Zaillian, roteirista de A Lista de Schindler, foi contratado para esse trabalho.

A direção estava sendo disputada por nada menos que Quentin Tarantino, Ridley Scott e Martin Scorsese, mas ficou mesmo com David Fincher (Clube da Luta, Se7en e Alien 3). O livro também deve ser lançado no mercado americano. Se eu fosse um editor brasileiro, faria o mesmo.* Brad Pitt, George Clooney e Johnny Depp foram cotados para o papel do jornalista Mikael Blomkvist (interpretado pelo excelente Michael Nyqvist). De acordo com o jornal The Independent, não tem para ninguém: Daniel Craig, o 007, já fechou a questão. Carey Mulligan, Kristen Stewart e Natalie Portman ainda atormentam o diretor sobre qual delas fará a personagem principal Lisbeth Salander, a heroína de traços violentos, cujo passado serve de gancho para a crítica social à sociedade sueca. Vítima de abusos, fumante compulsiva, hacker, bissexual, o papel da franzina porém poderosa Lisbeth Salander talvez caísse melhorzinho em Keira Knightley. As (re)filmagens devem começar agora em outubro e o lançamento da versão americana está previsto para 2012. Confira abaixo o trailer oficial da trilogia Millenium.

Mas por que trocar o original, que conquistou o mundo com os excelentes enquadramentos, roteiro bem-amarrado e desempenhos memoráveis dos atores suecos, por um remake morninho? Cogito, mas não ergo sumidades. O idioma sueco, por exemplo, um pesadelo para 80% da humanidade, poderia ser um obstáculo. Mas você e eu sabemos que as legendas existem para resolver isso. Ok, talvez americanos desprezem legendas tanto quanto odeiam a expressão french fries, mas isso seria motivo para gastar milhões de dólares em uma refilmagem? Ou talvez o original contivesse potencial para render dores de cabeça aos produtores. Por exemplo: (1) as cenas de sexo entre mulheres, tabu que deixa qualquer americano médio de pêlo em pé; (2) os corpos aparecem como Deus criou, sem lençois e outros tapa-sexos; (3) a cena de estupro cometida pelo tutor. Mas tal moralismo também impediria os americanos de ver (4) o incomparável talento de Noomi Rapace para encarnar Lisbeth Salander, sem falar nos seus piercings, que são reais! Refazer todo o filme por causa do pudor ou apenas para tê-lo falado em inglês são argumentos fracos. Defendo a teoria de que os estúdios de Hollywood estejam preferindo fazer remakes porque isso sai mais baratinho que investir em novos filmes.

Millenium, o documentário – As histórias da série Millenium foram escritas por Stieg Larsson para produzir ao todo 10 livros. Ele, porém, morreu antes de terminar o quarto volume, em 2004, aos 50 anos de idade: ao subir as escadas que o levavam a sua revista, sofreu um ataque cardíaco. Não pôde ver portanto o sucesso de seu trabalho, que transformou-se em um fenômeno mundial. Dos livros à série, Millenium é como uma cornucópia, uma fonte inesgotável de geração de fãs e produtos — que não se estranhe se surgir em breve um videogame com Lisbeth Salander. A Europa e boa parte do mundo ainda estão incandescentes com os livros e filmes da série e já se planeja o lançamento de um documentário contando os bastidores do autor.

Dirigido por Laurence Lowenthal, o documentário Millenium, the History promete lavar roupa em público, contando mais que apenas a história de Stieg Larsson, sua família, infância e trabalho. Além de explorar a trágica morte do jornalista e escritor ocorrida antes da publicação do primeiro livro e narrar seu último dia de vida, o filme deve trazer à tona a bananosa judicial sobre sua herança, sobre a qual ele não deixou testamento e que é reivindicada por familiares e sua companheira, Eva Gabrielsson. Seu engajamento político antiextremista, exercido por meio da revista a qual editava há décadas; o papel de Estocolmo e do contexto histórico-cultural sueco na sua vida e obra; o conteúdo do manuscrito do quarto livro, entre outros temas, também integram a produção, que está sendo disponibilizada pela Music Box Filmes.

Lisbeth Salander (de costas) e a namorada: cenas quentes que os americanos não vão ver no remake.

O primeiro filme da Millenium foi lançado no início de 2008 na Suécia, Dinamarca, Noruega, e em 2009 na Finlândia, tendo sido visto por mais de 2,5 milhões de pessoas nestes países. A série conquistou o mundo inteiro em pouco mais de um ano, tendo já 25 milhões de cópias vendidas. Conforme o jornal sueco The Local, a série Millenium — juntamente com o filme de vampiros Låt den rätte komma in e a série Wallander, está levando o cinema sueco ao período de maior sucesso desde a gloriosa época de Ingmar Bergman. Isso é bombástico. Em entrevista ao jornal, a diretora do Departamento Internacional do Swedish Film Institut, Pia Lundberg, declarou que “sucesso gera sucesso”, ou seja, o franco êxito de alguns filmes suecos no mercado americano, e a atual procura intensa por produtores e atores suecos, estão gerando esse efeito bola de neve. Outro filme sueco recentemente adaptado ao sabor americano foi Brødre (2004), de Susanne Bier.

Se você ainda não viu a Millenium, veja. Lisbeth Salander é um personagem rico, inesquecível. Criada de forma brilhante por Stieg Larsson, ela é um forte ícone feminino, que reúne características contraditórias, como a força física e a violência (coerente nesse caso com as nórdicas), pragmatismo e mente analítica, mas explosiva, com a delicadeza, o erotismo e a justiça moral. De aparência gótica, Lisbeth Salander tem habilidades incríveis com aparelhos eletrônicos, em especial o computador, memória fotográfica e, embora não se enquadre dentro do padrão estético da mulher bonita, é atraente para homens e mulheres. Noomi Rapace fez um papel definitivamente marcante; seu desempenho foi um banho de interpretação, muito além de impecável. Alguns dizem que Lisbeth Salander é Stieg Larsson sob a forma feminina e o jornalista Mikael Blomkvist, seu alterego. Seja como for, a partir do dia 20 de julho, entra em cartaz na Europa The Girl Who Kicked the Hornets’ Nest (Luftslottet som sprängdes), o filme que encerra a trilogia Millenium, cuja direção é de Daniel Alfredsson. Veja o trailer a seguir!

Não tem medo do idioma sueco? Então, vai na SVT – Sveriges Television e encara a série na íntegra!

Update: Segundo matéria da Variety, a Sony prevê o lançamento da versão americana de The Girl With the Dragon Tattoo para 21 de dezembro de 2011.

Update: Os livros foram lançados no Brasil pela editora Companhia das Letras.

This article is available in English: Millennium: the phenomenon Swedish fire places in the world

Os incríveis sons do segundo andar

26/04/2010

Pois não é que o bravíssimo You, the Living (Du Levande, 2007), de Roy Andersson, foi exibido nos Estados Unidos, no Roger Ebert Film Festival, em Champaign, Illinois? O evento, que já tem 12 anos, é uma iniciativa do renomado crítico de cinema Roger Ebert e aconteceu de 21 a 25 de abril. Notável o quanto a vida surpreende. A gente acha que algo jamais acontecerá, como, por exemplo, norte-americanos verem filmes suecos sem fazer cara feia, deixar de fazer passeatas contra o que chamam de indecência ou exigir tarjas na frente do que lhes avilta a moral puritana. Ok, é um festival independente, direcionado a cinéfilos, e Roy Andersson já teve a honra de ser homenageado pelo MoMa de Nova York com uma mostra especial de seus filmes no ano passado. Mas eu não poderia imaginar que os reis do cinema de ação aclamariam um filme que exige do espectador o seu coração; uma obra que fala diretamente conosco, olhos nos olhos, com um requintado senso de humor em uma atmosfera que também não deixa de oprimir. Além da exibição, foi realizado um debate com a plateia presente nos 1,5 mil lugares, em um teatro totalmente lotado. As discussões foram transmitidas ao vivo na internet pelo sistema Ustream.

Roy Andersson é um diretor que já faz parte da história do cinema, não apenas por ter desenvolvido uma estética única e realizado filmes cujas histórias geram verdadeiros mundos paralelos mas que, ao mesmo tempo, dialogam conosco e com a sociedade atual. Suas obras contêm um alto grau de meticulosidade, os detalhes são preparados com obsessiva perfeição, as cenas são trabalhadas como se fossem uma pintura; sua câmera é quase totalmente estática, com um foco profundo; os takes são longos e os personagens não têm sombras (“Eu quero uma luz em que as pessoas não possam esconder-se, eu quero a luz sem misericórdia”, sentencia o diretor). A anomia, o desespero silencioso e o abandono dos personagens denunciam sua futilidade e a nostalgia de uma forma de salvação que se mostra um engodo, seja por causa do tédio, pelo vazio de si mesmo ou pela crueldade como diversão. E embora tal estética possua um tom muitas vezes teatral em um sentido brechtiano, seus filmes tratam sobre o que há de mais comum a todos os seres humanos: seu egoísmo, suas dores; a tristeza, a solidão, a falta de solidariedade. No entanto, esses temas são mostrados de uma forma hilária, sem cair na comédia de gargalhadas, mas como se pudéssemos olhar no espelho e dar um sorriso diante de nossa mesquinhez.

Admirador de Roy Andersson e seus filmes, Roger Ebert, um dos principais críticos de cinema dos Estados Unidos, escolheu You, the Living como um dos melhores filmes independentes de 2009. Em 2001, Songs from Second Floor (Sanger våningen från andra, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2000), também foi exibido no festival de Ebert. You, the Living levou três anos para ser filmado, foi financiado em seis países e 18 fontes, e utilizou principalmente não-atores, uma característica do diretor. Ambos os filmes são fragmentados em forma de esquetes.

Marco do cinema ― Assisti a You, the Living no ano passado, intuí que ali estava um marco na história do cinema mundial e a partir de então decidi realizar um estudo de mestrado filosófico-cultural sobre o trabalho do diretor sueco. You, the Living é uma verdadeira obra-prima, é um filme para ser visto dezenas de vezes, há truques inacreditáveis feitos na unha à guisa de efeitos especiais, tudo low-tech, sem computador ― e por isso as cenas finais são ainda mais inacreditáveis ―; suas imagens ficarão para sempre em minha memória, o que satisfaz um desejo de Andersson: segundo ele, seus filmes possuem significados abertos para suscitar a curiosidade e a insaciedade do espectador e para que possam permanecer no tempo.

Eu já havia ficado abismada com Songs From Second Floor, sobre o qual escrevi um artigo para a revista de cultura NORTE (disponível aqui no ZuKino, em “What I do“), comparando elementos comuns com The Sacrifice (Offret), de Andrei Tarkovsky. Assisti também ao incompreendido Giliap (1975), cuja péssima recepção em festivais internacionais europeus decepcionou tanto a Roy Andersson que ele ficou 25 anos sem fazer um filme. Todos esses três longas, mais seus curtas-metragens (e inclusive alguns comerciais), compartilham da mesma estética singular, da ousadia em criar um caminho artístico próprio que hoje se tornou uma assinatura; a música, por sua vez, não é usada para dar clima mas como se fosse ela também um personagem. Entre todas as suas obras há apenas um rebento que se diferencia e deve ser, em princípio, separado da homogeneidade estética de todos os outros: A Swedish Love History (En Kärlekshistoria, 1970), seu primeiro filme; foi rodado em dois meses, de julho a agosto de 1969. Recém-saído da academia sueca de cinema, Roy Andersson foi aclamado como o cineasta sueco mais promissor na época devido à maestria com que realizou esse filme, que conta uma história de amor entre dois adolescentes e recebeu quatro prêmios no 20º Festival Internacional de Berlim.

Se o começo foi dureza, agora o mundo está finalmente abrindo seus braços para receber Roy Andersson: nos dias 2 e 7 de maio, a rede de TV sueca SVT transmitirá o documentário Studio 24: Roy Andersson – A Time For Everything (Roy Andersson – Det är en också imorgon dag), de Johan Carlsson. Studio 24 é o nome da produtora de Roy Andersson, onde ele também roda comerciais. Lá ele constrói cidades, mundos, universos ímpares de sentido.

Hoje com 66 anos de idade, Roy Andersson tem em sua filmografia quatro longas-metragens, mas prepara para breve sua quinta produção a qual fechará a trilogia Songs … e You, the Living. Diz ele que é uma tragicomédia à Dostoievsky. Permaneço em conexão com “o segundo andar”, ansiosa para ver o que virá de lá. Contudo, aviso ao leitor: não tenha a menor esperança de que esses filmes sejam exibidos aqui no Brasil fora de mostras especiais internacionais. É preciso ir atrás e se virar para consegui-las, meu amigo. (Dica: You, the Living é distribuído nos EUA pela Palisades Tartan.)

Mas não tenha dúvida de que se tratam de obras incríveis que o tempo nunca apagará.

Para quem se interessar pela estética anômica de Roy Andersson, há uma entrevista com o diretor no site The Auteurs (em inglês), em que ele explica sua maneira muito peculiar de fazer filmes.



Cenouras devoram urso de ouro

18/03/2010

Na noite de 16 de fevereiro, o diretor sueco Ruben Östlund foi premiado com um Urso de Ouro no histórico 60º Festival de Berlim por seu curta-metragem Händelse Vid Bank (Event at Bank, 2009). Não é pouca coisa para o cinema sueco, que este ano compareceu na Berlinale em peso, com nada menos que 25 curtas selecionados. Relativizando com o peso das lendas escandinavas precedentes, os últimos ganhadores do Urso de Ouro foram Jonas Odell, Ingmar Bergman, Jan Troell, Arne Mattsson e Per Carleson. Distribuído pela Folkets Bio, Händelse Vid Bank recebeu excelentes críticas na imprensa do Norte europeu, região cuja cultura hanseática, por conta dos negócios históricos, encontra similaridades de “augenweltung” com holandeses e escandinavos e, assim, tem satisfação com tragédias cômicas e humor negro.

A história de Händelse Vid Bank é baseada em uma tentativa de assalto real, testemunhada por Östlund e um dos produtores do filme no centro de Estocolmo, em junho de 2006. De acordo com o júri do festival, o curta sueco “é uma verdadeira reflexão sobre nosso tempo e sobre o papel desempenhado pela mídia”. Para o diretor de 32 anos, nascido na idílica Göteborg, testemunhar algo como um assalto fracassado em Estocolmo foi marcante: “A realidade era muito diferente do que eu tinha imaginado, todas as minhas ideias sobre assaltos a bancos vieram de filmes de ação americanos”, declarou, em entrevista ao Dagens Nyhete no ano passado. (Cá entre nós, os assaltos em filmes americanos, em geral, são realizados por russos ou terroristas não-americanos e sempre há um herói – americano, naturalmente – para fazer o que seria um excelente plano fracassar.) Assista a um trecho do curta abaixo:

Filmado com somente uma câmera, sem cortes, o filme de Östlund apresenta uma técnica interessante, com zoom in e out da imagem. Eu confio no júri da Berlinale, segundo o qual “os diálogos são perfeitos, a humanidade é explicada com humor”. O drama será conseguir ver o filme aqui no Brasil. A première na Suécia aconteceu em 26 de fevereiro.

É possível assisitr abaixo um trecho bem-humorado de outro filme do rapaz: Gitarrmongot (The Guitar Mongoloid, 2004). Você vê alguém, possivelmente um adolescente, sobre um morro lançando um enorme balão preto e quadrado sobre uma cidade (talvez algum subúrbio de Estocolmo), deixando as pessoas atônitas.

Em 2008, outro filme de Östlund, De Ofrivilliga (The Involuntary) foi exibido no Festival de Cannes na secção Un Certain Regard. O filme recebeu vários prêmios, entre eles o Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme Estrangeiro do Ano no Palm Springs International Film Festival. Junto com o produtor Erik Hemmendorff, Östlund é co-fundador da produtora Plattform Produktion (cujo site é um enigma comunicacional) e está trabalhando atualmente em seu terceiro de longa-metragem, que será lançado em 2011.

* Nota: Há exatamente um mês atrás, perdi uma guerra contra a realidade e caí doente. Agora, ainda me recupero, ainda estou lenta, mas já consigo voltar ao zuKino para colocar os registros em atraso. E, olha, não é pouca coisa!

Do Afeganistão ninguém volta

31/01/2010

Cortes precisos, enredo dramático e imagens impactantes é a receita para a dispnéia sibilante de Brothers (Brødre, 2004), da dinamarquesa Susanne Bier. O filme me cativou do início ao final, e tenho certeza de que se trata de uma obra corajosa. O que mais chama a atenção nesta produção é o modo como o tema Guerra do Afeganistão* é abordado. Trata-se de uma história poderosa de repressão, culpa, angústia e perda, aliada a uma excelente edição. Cada vez que a narrativa atinge um ápice de drama, a seguir, o que seria esperado como iminente é apenas sugerido, com cortes que economizam a narrativa e dão-lhe elegância e uma força ainda maior.

Os diálogos não têm meias-palavras e acertam o núcleo do coração do espectador, mesmo aquele já endurecido com tantos filmes norte-americanos sobre a sua “ocupação” do Afeganistão, cujo tratamento é o contrário: soldados heroificados ou vitimizados; bem versus mal definidos com exatidão; campo de batalha apenas exterior, nunca se mostrando o impacto real desta guerra dentro do microcosmo familiar. Após assistir a Brothers, tive a convicção de que os Estados Unidos já devem ser uma nação repleta de psicopatas e famílias implodidas por causa de três guerras seguidas ― e o “atoleiro” do Afeganistão não tem ainda um horizonte final de limite. 

Michael (Ulrich Thomsen) no cárcere talibã: tortura e morte da própria mente.

Ulrich Thomsen em seu cárcere no Afeganistão: torturas e perda de si mesmo.

Brothers é acima de tudo um filme perturbador e que não oferece consolo ao espectador. Ao abordar o tema desta guerra absurda, em que a Dinamarca já mantém tropas desde 2001, a diretora “chuta o balde”, metendo o dedo na ferida de uma forma que jamais vi. A cena em que Michael é obrigado a ensinar os Talibãs a manusear um lançador de mísseis portátil, de última geração, é pungente. É uma arma fabricada com a mais alta tecnologia europeia e é talvez a mesma que derrubara o seu helicóptero. Eis um ponto marcante: esta guerra saiu do controle e tropas estão sendo mortas com as próprias armas. Como esta é uma temática ainda mais ampla, ela se espalha como uma lepra pelo ambiente doméstico lá na capital dinamarquesa, devastando o núcleo familiar.

Michael, um major, vai servir as tropas dinamarquesas no Afeganistão, e curte os últimos dias em família antes de partir. As cenas são de carinho e aconchego, embora o espectador já pressinta um mal-estar. Surgem os inserts de vegetais balançando e dunas de areia, uma pausa relaxante com música etérea… e então vem o corte brusco: vemos Michael já no helicóptero que o leva ao campo de batalha. A aeronave é alvejada por talibãs e explode sobre o mar; não se encontram vestígios de corpos. O caixão de Michael é velado e enterrado com honras de estado na Dinamarca. Sentimos sua morte como ela é na vida: aquela pessoa que ainda agora estava aqui desaparece, em um istmo de segundo, para sempre. A partir daí, a ausência de Michael separa o filme em dois: vemos seu isolamento, as torturas, o deserto de esperança, sua luta por sobreviver para voltar às filhas e à esposa, mesmo que sua mente esteja estropiada, atormentada por um fato sem perdão. Do outro lado, na Dinamarca, a família sofre, se readapta, torna a ser feliz, desta vez com a presença de Jannik (Nikolaj Lie Kaas).

A tragédia é ainda mais contundente por causa da relação entre Michael e seu irmão, Jannik. Eles são um o oposto do outro: enquanto o major é o exemplo de homem de família, ponderado, respeitado e honesto, Jannik é o enfant terrible, bêbado, irresponsável, vagabundo. O pai o despreza. Mas estes laços, tampouco as cenas de pseudotraição entre Jannik e a esposa de Michael, não são o plot principal de Brothers. O ponto principal é este: o que vivemos é irreversível.

Os atores estão todos excelentes, e destaco especialmente o desempenho de Ulrich Thomsen como Michael: magro e de rosto gasto, convence-nos de que ele realmente enlouqueceu pela dor e pela culpa, por negar o mal que fez em uma situação-limite, e por ter se transformado em um morto-vivo que inveja seu irmão e sua mulher. Baseado apenas em índices subjetivos e paranóia, ele tem certeza de que esposa o traiu com Jannik. Mas são as duas filhas pequenas, sobretudo, quem mais sofre com suas explosões de loucura e violência uma delas chega a declarar, com aquela inocente mas brutal crueldade infantil: “Seria melhor que você tivesse continuado morto, papai”.

O final é muito verossímil: opaco, e ficamos sem saber se haverá algum perdão possível agora. Somente o tempo pode curar feridas e traumas, mas isso também dependerá das pessoas envolvidas: se elas se apoiarem, se elas desejarem se curar e conseguirem forças dentro de si mesmas para superar os sofrimentos, talvez. Pois os seus erros e sua estupidez ocorreram em razão de um determinado contexto, em que foram obrigadas a enfrentar o insuportável. E, acima de tudo, um contexto que não foi escolhido por elas.

Brothers recebeu em 2005 o prêmio do público em Sundance e no Rotterdam Film Festival. O filme foi rodado em Kopenhagen e também em regiões da Espanha e do Afeganistão. Assista aqui o trailer de Brothers em alta resolução.

Falarei em um próximo post, em breve, sobre outros três excelentes filmes escandinavos que assisti em dezembro, mas sobre os quais ainda não consegui o tempo que eles merecem para descrever as impressões que me deixaram: o dinamarquês Den Store Badedag (1991), de Stellan Olsson sem legendas disponíveis em outro idioma, lamentavelmente; e os suecos The Emigrants (Utvandrarna, 1971), um filme histórico pungente sobre a imigração de suecos para os Estados Unidos no Século 19, e Maria Larssons eviga ögonblick (2008), uma homenagem à fotografia e ao cinema, ambos do mítico Jan Troell.

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O que a Dinamarca faz na Guerra do Afeganistão? Entenda aqui

* A invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos iniciou-se em 7/10/2001. A alegação era encontrar Osama bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda e colocá-los a julgamento, e remover o regime talibã. A ocupação à força se deu em razão dos atentados de 11 de Setembro de 2001 contra o World Trade Center, no coração de Nova York. As Nações Unidas não autorizaram a invasão do Afeganistão. Atualmente, a situação é de instabilidade política, traição, assassinatos generalizados e atividades insurgentes. A guerra não foi vencida no seu principal objetivo de capturar Osama bin Laden. Até junho de 2009, um total de 24 dinamarqueses foram mortos no Afeganistão; é a taxa de mortalidade per capita mais alta entre as forças da OTAN. A Dinamarca tem mais de 700 soldados no Afeganistão, a maioria deles estacionada na província de Helmand, sob comando britânico.

Mentiras verdadeiras

25/11/2009

A animação Lies (Lögner, 2008) traz três histórias verdadeiras sobre a mentira, mas o tema é tão interessante quanto a estética da obra. Produzido pela sua agência FilmTecknarna, de Estocolmo, e a Sveriges Television, o curta-metragem utiliza colagens e desenhos em ritmo de videoclipe, recheado de closes e ângulos surpreendentes. Em três episódios baseados em entrevistas documentais, encontramos um assaltante que, quando descoberto, passa a afirmar ser um contador clandestino; um menino que se encontra imobilizado diante de acusações e confessa um crime que não cometeu e uma mulher cuja vida inteira foi uma cadeia de mentiras.

De acordo com o diretor de Lies, Jonas Odell, sua ideia foi utilizar o frágil conceito de “verdade” e fazer um filme usando material documental construído sobre estes três blocos. Ao final, o espectador acaba com uma visão subjetiva de uma fatia do mundo. “Fiquei interessado em usar histórias verdadeiras sobre mentiras como a base para uma película. Afinal, não são os realizadores os maiores e mais glorificados mentirosos de todos?”, ironiza o sueco.

A cultura escandinava combate tanto a hipocrisia quanto possui exemplos clássicos de uma burguesia apegada às pequenas mentiras, embora as características de discurso direto dos idiomas e a própria herança cultural impeçam de não se falar sobre temas espinhosos diante de qualquer um. Até hoje, a cinematografia nórdica funciona como libelo contra a mentira a si e ao outro, talvez por traumas kierkegaardianos. Ser verdadeiro e duro consigo mesmo equivaleria, grosso modo, a ser livre. “Quem não provou a amargura do desespero está enganado sobre o significado da vida”, escreveu Kierkegaard, saboreando um chocolate debaixo de uma árvore.

Lies tem 13 minutos e foi rodado em 35mm. A produção da FilmTecknarna foi realizada em cooperação com a estatal de tevê finlandesa YLE e com o apoio do Svenksa Filminstitutet (instituto sueco de cinema) e o fundo Nordic Film.

Não haverá chance de assistir a Lies na íntegra, a não ser que você seja daqueles aficionados por festivais internacionais de filmes. É possível conferir um pedacinho, com uma resolução miserável que não faz jus à sua qualidade, no YouTube, logo abaixo. Aqui há outro trecho, com uma excelente qualidade, mas em um formato não-suportado por este blog.

Aproveita e também confere Revolver, uma trágica animação criada e dirigida por Odell e seus colegas da FilmTecknarna, Stig Bergqvist e Lars Ohlson, cujas esquetes trazem à baila a hipocrisia e a tragédia da vida com bom humor.

Videomaker e diretor de cinema nascido em Estocolmo em 1962, Jonas Odell é especialista em misturar animação 2D e 3D e ação ao vivo (live action), e dirigiu dezenas de curtas, videoclipes e comerciais para tevê. Foi premiado com o Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2006 por Never Like the First Time! (Aldrig gången första som!). Por Lies, Odell ganhou o Guldbagge Awards de Melhor Curta-Metragem, prêmio que já havia recebido por Never Like the First Time! (2006). Lies também recebeu este ano o Prêmio do Júri Internacional de Curtas Filmmaking no Sundance Film Festival.

Jonas Odell foi escolhido ainda como um dos 100 maiores animadores de todos os tempos em uma pesquisa mundial organizada pela rede inglesa Channel Four. Ele também foi indicado ao Grammy e ganhou um MTV Music Awards pelo vídeo da música “Take Me Out”, da banda inglesa Franz Ferdinand. Desde que codirigiu Revolver, Odell passou a criar clipes para artistas como Goldfrapp, Feeder, U2 e The Hours. Entre seus comercaisi constam trabalhos para BMW, Virgin e MTV.

Bom, por hoje é tudo. Em breve, prometo escrever algo sobre as profundas impressões e surpresas que tive ao assistir o excelente You, the Living (2007) de Roy Andersson. Até mais!

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