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Cenouras devoram urso de ouro

18/03/2010

Na noite de 16 de fevereiro, o diretor sueco Ruben Östlund foi premiado com um Urso de Ouro no histórico 60º Festival de Berlim por seu curta-metragem Händelse Vid Bank (Event at Bank, 2009). Não é pouca coisa para o cinema sueco, que este ano compareceu na Berlinale em peso, com nada menos que 25 curtas selecionados. Relativizando com o peso das lendas escandinavas precedentes, os últimos ganhadores do Urso de Ouro foram Jonas Odell, Ingmar Bergman, Jan Troell, Arne Mattsson e Per Carleson. Distribuído pela Folkets Bio, Händelse Vid Bank recebeu excelentes críticas na imprensa do Norte europeu, região cuja cultura hanseática, por conta dos negócios históricos, encontra similaridades de “augenweltung” com holandeses e escandinavos e, assim, tem satisfação com tragédias cômicas e humor negro.

A história de Händelse Vid Bank é baseada em uma tentativa de assalto real, testemunhada por Östlund e um dos produtores do filme no centro de Estocolmo, em junho de 2006. De acordo com o júri do festival, o curta sueco “é uma verdadeira reflexão sobre nosso tempo e sobre o papel desempenhado pela mídia”. Para o diretor de 32 anos, nascido na idílica Göteborg, testemunhar algo como um assalto fracassado em Estocolmo foi marcante: “A realidade era muito diferente do que eu tinha imaginado, todas as minhas ideias sobre assaltos a bancos vieram de filmes de ação americanos”, declarou, em entrevista ao Dagens Nyhete no ano passado. (Cá entre nós, os assaltos em filmes americanos, em geral, são realizados por russos ou terroristas não-americanos e sempre há um herói – americano, naturalmente – para fazer o que seria um excelente plano fracassar.) Assista a um trecho do curta abaixo:

Filmado com somente uma câmera, sem cortes, o filme de Östlund apresenta uma técnica interessante, com zoom in e out da imagem. Eu confio no júri da Berlinale, segundo o qual “os diálogos são perfeitos, a humanidade é explicada com humor”. O drama será conseguir ver o filme aqui no Brasil. A première na Suécia aconteceu em 26 de fevereiro.

É possível assisitr abaixo um trecho bem-humorado de outro filme do rapaz: Gitarrmongot (The Guitar Mongoloid, 2004). Você vê alguém, possivelmente um adolescente, sobre um morro lançando um enorme balão preto e quadrado sobre uma cidade (talvez algum subúrbio de Estocolmo), deixando as pessoas atônitas.

Em 2008, outro filme de Östlund, De Ofrivilliga (The Involuntary) foi exibido no Festival de Cannes na secção Un Certain Regard. O filme recebeu vários prêmios, entre eles o Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme Estrangeiro do Ano no Palm Springs International Film Festival. Junto com o produtor Erik Hemmendorff, Östlund é co-fundador da produtora Plattform Produktion (cujo site é um enigma comunicacional) e está trabalhando atualmente em seu terceiro de longa-metragem, que será lançado em 2011.

* Nota: Há exatamente um mês atrás, perdi uma guerra contra a realidade e caí doente. Agora, ainda me recupero, ainda estou lenta, mas já consigo voltar ao zuKino para colocar os registros em atraso. E, olha, não é pouca coisa!

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