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Anticristo é o melhor filme nórdico de 2009

22/10/2009

O diretor dinamarquês Lars von Trier, visto por alguns moralistas como a última besta do Apocalipse, receberá, no dia 27 de outubro, o Nordic Council Film Prize 2009 por Anticristo (Antichrist, 2009), eleito como melhor filme do ano. O prêmio, no valor de 350.000 coroas, também será concedido à Meta Louise Foldager, produtora do longa-metragem mais controverso dos últimos tempos. “Os outros filmes devem sangrar terrivelmente se o meu for o melhor filme nos países nórdicos este ano”, brincou o diretor, em entrevista à TV dinamarquesa DR. Deixando de lado a brincadeira, von Trier acrescentou que o prêmio significa muito para ele, revelando que buscou inspiração em artistas nórdicos como Henrik Ibsen, Edward Munch e Ingmar Bergman.

“Não existem muitos lugares no mundo em que os artistas tenham uma liberdade tão grande como nos países nórdicos, onde o financiamento e o apoio financeiro são ainda dados pelo Estado e instituições públicas. A liberdade artística e criativa é crucial para o nosso desenvolvimento como seres humanos. Se não levarmos isso em nós, não temos o direito de ser tão privilegiados. Então, acredito que devemos receber a escolha do júri como um desafio para continuar a viver pelo nosso patrimônio cultural nórdico”, comentou a produtora Meta Louise Foldager.

Lars von Trier e Meta Louise Foldager com mimos do prêmio, a ser entregue dia 27/10. CRÉDITO: Nordisk Film & TV Fond

Lars von Trier e Meta Louise Foldager com os mimos pelo prêmio, a ser entregue em cerimônia em Estocolmo no dia 27/10. Crédito: Nordisk Film & TV Fond

O júri do Nordic Council justificou que concede o prêmio a Anticristo porque o filme quebrou as fronteiras entre a realidade interna e externa e os espectadores são empurrados para os limites de seus medos mais profundos.

A seguir, o resumo do júri a respeito da obra-prima:

”Lars von Trier’s Antichrist is a wild, visually beautiful and shockingly violent film about sorrow, rage and guilt. Disturbing and moving at the same time it explores the chaos that invades the two characters’ lives following the death of their young son. It is a passionate account of the irrational forces of emotions and nature, which neither reason nor cognitive therapy can master. It breaks down the boundaries between inner and outer realities, as it digs deep into the innermost beings of its protagonists.
With total freedom of expression Lars von Trier stages the couples’ dream/nightmare as precisely as possible, and mercilessly plays with the disruption of the delicate gender balance in their relationship. Perfectly phrased in the imagery and acting, with a richness in its cultural references, Antichrist puts the cinematically, psychologically and physically familiar into a challenging and unfamiliar context.
Out of this visionary work rises a darkness without contours, a chilling loneliness, as well as pain as the primal force of human survival. In his unmistakably, deeply personal way Lars von Trier questions convenient religious thought and attacks accepted rational and controlling ambitions, pushing the viewers towards the edge of their own deepest fears.”

O Nordic Film Prize é um evento que acontece desde 2005. No último ano, o prêmio foi concedido ao diretor sueco Roy Andersson pelo ainda inédito no Brasil You, the Living. O conselho é formado este ano pelos seguintes membros: Anne Jerslev (Dinamarca), Johanna Grönqvist (Finlândia), Sjon (Islândia), Le LD Nguyen (Noruega), Eva af Geijerstam (Suécia). Ao todo, cinco filmes nórdicos competiam pelo prêmio em 2009: além de Anticristo, os outros títulos eram Sauna (Finlândia), The Amazing Truth About Queen Raquela (Islândia), Nord (Noruega) and Light Year (Ljusår, Suécia).

Para que conseguiu chegar a tempo nos cinemas para ver Anticristo, e ficou cheio de dúvidas, há o excelente artigo “Trouble in Eden”, de Anthony Lane, na revista New Yorker. Para quem não viu, pelo menos em Porto Alegre, resta esperar o DVD, pois o filme mal entrou e já saiu de cartaz. Eu vi o filme em casa, nos sussurros da madrugada, e quase surtei junto com a Charlotte Gainsbourg.

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